2 de jul de 2012

Fazendo as pazes com a natação




Estou há dias pensando em como escrever esse post. Na realidade estou devendo dois: este, sobre minhas pazes com a natação e o outro sobre a minha lesão.

Enquanto organizava as ideias para esse post, encontrei dois amigos cujas histórias "cairam como uma luva" para escrever e acrescentar, mostrando que problemas assim podem acontecer com qualquer atleta.

Esse ano perdi a vontade de nadar. Sim, perdi a vontade de praticar um esporte que me acompanha de pequena, do qual nunca larguei, nem mesmo nas férias. Simplesmente "tomei um bode" de nadar. Não tinha vontade de cair na água, me dava um mal-estar só de pensar em entrar numa piscina. Até aí tudo bem, você pode dizer: " então pedala e corre. Dá um tempo na natação." O único problema é que 2012 seria o ano do IRONMAN BRASIL.

Já fiz muitas travessias de 3000m, nado distância há muitos anos, porém 3.8k em um ironman, não é para se brincar. Confesso que nadei algumas vezes, claro, porém nem o mínimo necessário para o iron. Minha mudança para Brasília, para cursar meu doutorado na UnB, foi bem confusa e cheia de intercorrências, o que me fez demorar para procurar uma piscina para nadar. Quando recebi apoio de uma grande equipe brasiliense, com uma excelente estrutura para nadar, incluindo piscina e técnico, minha vida estava tão caótica (aulas no doc + aulas que lecionava em outras instituições + pedalar e correr+problemas pessoais) que a natação foi ficando, ficando, ficando. E o Ironman se aproximando, aproximando, aproximando.

Pedal e corrida estavam redondinhos. Perfeitinhos para uma boa estreia. Mas a natação era uma incógnita. Repensei na semana do iron se eu ia mesmo. Não estava confiante para nadar os 3.8k. Acabei indo para a prova, encorajada pelos amigos, familiares e treinador. Até brinquei na véspera da prova, com meu técnico e meus amigos: "se vcs me virem saindo da água, meu iron vai começar."





Encarei aquele mar lindo de Jurerê, de coração aberto...como meu técnico sempre me ensinou: "respeitando a prova." Sabia da minha quantidade de treino e da minha capacidade. Não abusei, fui dentro das condições. Fiz um tempo alto, porém dentro do esperado. Saí da água feliz, até porque não me afobei e nem senti dores no meu ombro esquerdo que tanto me perturbou nos pedais (principalmente clipada).

Acaso ou não, tive um acidente na prova, no km130 do ciclismo especificamente, que me retardou mais de 1h e me fez terminar o ironman com fortíssimas dores na coluna.

Na semana seguinte, ainda com muitas dores, procurei meu médico, o qual, após a ressonância magnética, diagnosticou uma "fratura na coluna sacracoccígea + edema na coluna + reincidiva da protusão discal na L5/S1", ou seja, tava com a coluna "ferrada". Recomendação: 8 semanas sem pedalar, correr, atividades de impacto, pilates, musculação, etc etc. Somente poderia nadar...sem viradas, sem peito ou borboleta, sem tiros, etc. Me deprimi demais. Principalmente ao acompanhar amigos voltando a correr e pedalar, as provas e principalmente não podendo participar da Ultramaratona Volta ao Lago - 55k solo, que estava inscrita. Isso me martirizou e machucou demais. Xinguei staff que me derrubou no iron, chorei bastante, argumentei com meu médico e desabafei muito com meus pais e meu treinador.

Porém eu ainda poderia nadar. Com jeitinho e disciplina, ele me liberou para pé de pato e palmar e tiros leves. É meu consolo, não só para não perder o condicionamento físico, como também para descontar o stress do dia a dia. Morro de saudades dos pedais de sábado e dos longos de corrida de domingo, porém não posso reclamar, pois ainda posso nadar. E tenho melhorado muito meu nado. Acho que estou nadando muito melhor do que há um ano atrás. Nado todos os dias, média de 3k a 4k. Saio da piscina moída, como eu gosto.

E o principal: fiz as pazes com a natação. Voltei a ter a paixão que sempre tive pela água, a vontade de nadar rápido e melhorar meus tempos. Voltei a encontrar prazer em estar imersa em cloro, em sentir braços cansados.

Nessa ultima semana conversei com uma grande amiga, a qual me surpreendeu ao me dizer que não nadava há 3 meses porque "não tinha vontade, tomou bode". Exatamente como eu estava antes. Sem motivo ou razão aparente, perdemos a vontade de nadar. Ainda, conversei com um colega nadador que também estava em uma "deprê aquática". Percebi então que era algo recorrente. Mas acredito que sejam fases e que elas nos permitem entrar em contato com coisas importantes que estavam escondidinhas, nos redescobrirmos e não deixar de lado o que nos faz bem. Tudo tem sua hora e seu tempo.

E isso me fez pensar... Para quem ficou quase 5 meses sem vontade de nadar, agora é o que me restou. E fiz as pazes com a natação. Nada nessa vida é por acaso. Eu tinha uma história mal resolvida com a natação que o tempo se encarregou de colocar no lugar. São fases. E essa só tem me ensinado.

Por isso, jamais desanimar. Cansou? O tempo faz tudo ficar no lugar. As vezes o melhor é dar um tempo e sentir necessidade de voltar. E outras vezes, a própria vida nos coloca no caminho novamente, sem muita explicação. O que importa é que nos faz bem e, no caso da natação, é condição sine qua non para me manter "lúcida" no dia a dia. Não vejo a hora de voltar a pedalar e correr. Enquanto isso, estou mergulhando intensamente na natação.






4 comentários:

  1. Vivi, te acompanho ha um bom tempo desde antes de vc se inscrever pra esse Iron (tenho certeza q esse será só o primeiro) e vejo sua dedicação aos treinos, trabalhos, ou seja, a vida né?! Talvez sua lesão seja justamente pra isso ...pra vc fazer as pazes com as braçadas. Tenho certeza e confio no seu taco, menina. Sairá melhor .... te admiro, afinal... ta na luta pro doc e ser ironwoman nao é qq coisa nao!!

    bjss

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  2. Pois é, faz uns 30 anos que estou sem vontade de nadar...

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  3. Eu descobri o contrário Vivi, não nadava havia anos e esse ano quando iniciei no triathlon me surpreendi com o prazer de nadar. Mas vivemos em ciclos, hora estamos embaixo, hora no alto.
    O negócio é não parar...
    Bons treinos, boa recuperação e divirta-se nas piscinas!
    Diego
    http://correrparacrer.wordpress.com/

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  4. Muito bom depoimento Vivi!
    De fato todos nós passamos por esses altos e baixos.
    Sem contar que como qualquer outra modalidade esportiva, a natação é muito ingrata quando deixamos de praticá-la, ou seja, perdemos em altíssima velocidade o que levamos meses para construir em performance.
    Passei por isso no final do ano passado.
    Eu estava afiado pra caramba na natação, aí tive uma viagem que me custou uma semana longe da piscina ... resultado: "voltei uma "M" "
    E por ter perdido a performance de antes, me sentia totalmente desmotivado por isso, e fui deixando os treinos de lado.
    Até que tomei uma "padala Robinho" do meu técnico e de lá pra cá estou numa constante. Até quando? Eu nao sei! Mas espero não passar por isso de novo tão cedo.

    Bjks,

    Digão

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