19 de jul de 2011

sinusite e rinite - até onde vale a pena treinar?

Olá pessoal,

Semana passada me vi envolvida em uma situação que realmente me fez parar para pensar: até quando treinar doente? No caso em específico, com rinite e sinusite?
A primeira vista, vocês irão me responder: "não, não tem nem que treinar." Mas cá entre nós, sabemos o quão dificil é parar de treinar por causa de uma dor de cabeça ou um espirro aqui, outro la. Ainda mais para quem treina aqui no sul, onde as variações de temperatura e condições climáticas são abruptas e intensas e nem sempre nosso organismo consegue acompanhar as oscilações.´Nas ultimas semanas, o clima por aqui tem oscilado demais. Variou de geada (-3C) a 25C nesse fim de semana, mesclando sol, chuva, vento,etc.
Há semanas venho lutando contra um princípio de sinusite, não quis dar muita importância para não parar os treinos. Os sintomas foram aumentando e pioraram durante uma viagem há 2 semanas. Na semana passada, infortunamente, precisei ir ao otorrino pois as dores estavam absolutamente insuportáveis. Medicada, fiz repouso de 2 dias e logo voltei a treinar pois acreditava estar bem.Em razão da carga de trabalho, também me obriguei a voltar antes, pois na nossa vida corrida, não há espaço para "paradas". Treinei forte no ultimo fim de semana e tive uma recaída, muito mais forte. Resultado: mais dias em repouso, nova série de medicamentos, bronca do médico e uma lição: só voltar a treinar quando estiver 100%.
Foi então que decidi fazer uma análise sobre as recomendações para se treinar nesses casos. Para começo, há que se destacar o que é a sinusite e a rinite:
Sinusite Paralelamente ao nariz encontramos os seios da face, estruturas ósseas que apresentam comunicação direta com o nariz e, por isso, muitas vezes com problemas relacionados a ele. O mais comum é a sinusite, dor em pressão na face que pode estar associada com coriza variando desde clara espessada até à uma coloração verde amarelada, associada à mal estar geral do paciente. A sinusite pode ser aguda, como a que ocorre durante um resfriado mais forte, mal tratado ou crônica, levando o paciente a apresentar dor facial e pressão em face ou em toda a cabeça, obstrução nasal e coriza anterior ou posterior (algo como se o paciente estivesse sempre engolindo algo que vem do nariz).     
Rinite Alérgica Uma das doenças mais comuns relacionadas ao nariz é a rinite. A rinite pode apresentar várias causas, sendo a mais comum a rinite alérgica, que se caracteriza por obstrução nasal, coriza clara e líquida, espirros e coceira. Ela normalmente surge quando o paciente entra em contato com determinadas substâncias que desencadeiam a crise tais como poeira, bolor ou perfume.
 (Areas acometidas pela sinusite)

O triatleta se acostuma a conviver com a dor. Na rotina diária de preparação aprendemos a negociar com a dor constantemente, aumentamos o limiar de dor, convive-se com ela. Porém, no caso da sinusite, a dor é tão intensa que a vontade que temos é, sinceramente, arrancar a cabeça fora. Não há uma fórmula mágica para saber quando parar. O máximo que se pode usar é o bom-senso e seu "feeling"( o que no meu caso praticamente só aparece na hora da morte..). Não queremos parar por qualquer coisa, ainda mais quando estamos diante de grandes objetivos e uma preparação eficaz e progressiva.
Dentre as pesquisas, posso dizer que encontrei nitidamente 2 versões: médicos+treinadores  X atletas, cada qual demonstrando seus pontos de vista. E essa é uma discussão que vai longe e eu não tenho excelência para discorrer sobre, pois não sou médica, nem treinadora.

Destaque-se a matéria da Runner's World sobre o tema "Should you run when you're sick" ( http://www.runnersworld.com/article/0,7120,s6-241-286--9082-0,00.html ) em que fora realizada uma pesquisa com corredores que treinaram com resfriados e sinusite, conforme segue:
Sinus infection, or sinusitis, is an inflammation of the sinus cavity that affects 37 million Americans each year. Symptoms include runny nose, cough, headache, and facial pressure. With a full-blown sinus infection, you rarely feel like running. But if you do, consider the 72-hour rule of Jeffrey Hall Dobken, M.D.: "No running for three days," advises the allergist/immunologist and ultramarathoner in Little Silver, New Jersey. Even without the presence of a fever, says Dr. Dobken, some sinus infections, when stressed by exercise, can lead to pneumonia or, in extreme cases, respiratory failure.
Not surprisingly, winter weather increases risk of sinusitis. In dry air, the nasal passages and mouth lose moisture, causing irritation. "The sinuses need time to recover," says Dr. Dobken, "just like a knee or foot." So Dr. Dobken recommends including treadmill running in your winter training regimen.
Another option for sinusitis sufferers is pool running. "The water adds moisture to nasal passages," says John J. Jacobsen, M.D., an allergist in Mankato, Minnesota. Pool running is preferable to swimming, says Dr. Jacobsen, because chlorine can be irritating to the nose.

Nesta mesma matéria, o conselho que resta é "obedeça seu corpo e o termômetro, e não a planilha de treinamento."

Encontrei uma síntese dos cuidados que devem ser tomados quando se está com alguma moléstia das vias aereas superiores:
FAÇA exercício moderadamente se seus sintomas de gripe estão restritas a área da cabeça. Se você tem dor de garganta ou coriza exercício moderado é permitido. Exercícios intensos podem ser praticados após o desaparecimento dos sintomas (em caso de gripe comum).
NÃO “sue toda sua doença”. Esse é um mito perigoso, e não há evidências que ajudem a comprovar que exercícios no período da doença ajudam em sua cura.
SIM, fique na cama se sua doença for sistêmica – quer dizer, se for além da área da cabeça. Infecções respiratórias, febres, glândulas inchadas e dores extremas – todas elas indicam que você deve descansar e não se exercitar.
NÃO volte a treinar tão cedo. Se você está se recuperando de uma gripe ou resfriado mais forte, volte gradualmente a se exercitar depois de, pelo menos, duas semanas de descanso.
De forma geral, se sua doença for do pescoço pra cima, vá e dê uma caminhada”, diz Dr.P.H. David C. Nieman do American College of Sports Medicine, “mas se você tem uma febre ou dores no corpo, descanse e deixe seu corpo se recuperar”.( http://running.about.com/b/2010/11/15/can-i-run-when-im-sick.htm )

Ficam as dicas. Se necessário for parar, obedecer seu corpo. Sempre.

Abraços e bons treinos

15 de jul de 2011

A polêmica em correr 42k - quando?

Pessoal,

Coincidentemente ou não, há alguns dias venho s matérias em revistas e corredores discutindo nas redes sociais sobre "quando devo correr uma maratona?" E isso me incomodou um pouco.

A primeira matéria que li sobre esse assunto foi na Revista Contra Relógio, no blog "na Corrida" do jornalista André Savazoni. Ele retrata uma discussão que vem ocorrendo nas redes sociais (twitter, facebook) sobre o numero de provas e a qualidade das mesmas, principalmente as de longa distância. Savazoni ressalta que temos um numero expressivo de provas no Brasil (e concordo), podendo citar as maratonas de São Paulo, Rio de Janeiro, Foz do Iguaçu, Curitiba, Florianópolis, Porto Alegre, Brasilia, Caxias do Sul (novidade), entre outras. No entanto ele destaca que o numero de participantes e, indo mais além, de concluintes, ainda é baixa no Brasil, se comparado ao de outras provas no exterior. Nesse sentido, vem sua consideração mais pesada:

"a maioria das pessoas que correm maratonas no Brasil completa acima de 4 horas. Abaixo disso, a porcentagem é pequena. Outro ponto a ser discutido: temos que ampliar também o total dos sub 4h. Na elite, vale o mesmo. Sub 2h10, temos hoje o Marilson. E só. No feminino, nenhuma sub 2h30. Aí, se a discussão for escassez de maratonistas, tanto profissionais como amadores, concordo."  ( http://revistacontrarelogio.com.br/blogs/na-corrida/  )
O que indica que "precisamos de provas e maratonistas melhores" e não apenas mais provas.
Nessa esteira, destaque-se a matéria do Vicent Sobrinho, sobre o "Zezinho", o menino de 8 anos que correu a maratona do Rio, em 1982. Uma história muito bonita, que vale a pena ser lida  ( http://revistacontrarelogio.com.br/materia/aos-8-anos-a-primeira-maratona-de-zezinho/ )mas que apenas retrata uma exceção, um ponto fora da curva, que jamais deveria ser copiado. Sobre essa matéria, conversei com o jornalista Vicent Sobrinho, no Facebook, e concordamos no fato de que o universo "corredor" é muito atraente, porém temos que ter bom senso e dosar as provas que escolhemos, bem como a evolução para avançar em distâncias. Do contrário, o que vamos ver são corredores despreparados "desafiando" a si mesmo em maratonas, vislumbrando um cenário de infartos e mal-estares, como ja fora visto em várias provas, inclusive na maratona de Curitiba em 2009.
Muito comum ver atletas que se preparam em poucos meses para uma maratona, terminam no seu tempo máximo e acabam por ficar semanas com lesões e dores. Não acredito que isso compense. Sei que a ânsia por ultrapassar limites e ser chamado “maratonista” é grande, mas o preço que se tem que pagar é muito alto. Em uma outra revista esportiva, li na edição deste mês, “programa de treinamento para quem só pode correr OU no sábado OU no domingo”. Ela não visava maratonas, mas de qualquer forma, visava participar de uma corrida. E isso fomenta a horda de atletas de fim de semana que se arriscam ao querer se comparar com corredores mais bem treinados, expondo-se à riscos desnecessários.

Esses dias ainda, conversando com uma corredora de Brasilia, via twitter, a Leticia Bonfin (@LetBon) , que me perguntou sobre correr provas longas (ela que já corre 21km), quando ela deveria partir para os 42km..ou uma ultra (50k). Seu treinador havia recomendado apenas em 2014 e comentei que eu mesma levei 5 anos para encarar uma maratona. Corro há 8 anos e sou triatleta há cinco. Já corri 6 maratonas e aconselho: só encare 42km se tiver muito preparo, treinos e segurança.Tudo no seu tempo e a experiência sera boa para sempre.
Maratona requer psicológico mais do que perna; dedicação, mais do que vontade; empenho e disciplina acima de tudo. É uma prova deliciosa, mas o preço pago pelo corpo é muito alto. E é isso que tem que ser advertido: 42km não é uma brincadeira, não é uma prova comum. É MARATONA.

2 de jul de 2011

endurance mental

Quem treina em Curitiba e região sabe o quanto temos que praticar o "endurance mental". Como aqui chove muito e faz um frio intenso nessa época, não nos sobra muitas alternativas além do treino indoor (rolo, spinning e esteira).
Eu simplesmente ODEIO esteira e não gosto de spinning (DETESTO alguem berrando SOOOBE, MANTEEEEEM...pqp coisa chata..alem daquelas musiquinhas a la "Melhores da Jovem Pan")..já o rolo não me oponho pq ouço as musicas que eu gosto e faço o treino que meu treinador planeja. Na verdade bike no rolo é algo que eu gosto, por incrivel que pareça.
COnfesso que há algum tempo me sentia uma ET girando uma, duas horas no rolo.. Mas conversando com vários triatletas, vi que não estou só nessa empreitada..
Nessa ultima semana, com o volume de treinos de bike aumentando, proporcionalmente ao frio e a chuva, não escapei de uma semana INTEIRA no rolo. Ainda comentei com meu treinador: "acho que o cansaço mental de tanto trabalhar o psicologico é maior do que realmente é o esforço físico"..
E hoje, ao acordar e ver o tempo nublado e instavel, soube que o treino estaria cancelado..o que me forçou a 2h de endurance mental sobre o rolo..O que me motivava é que a corrida pós seria na rua porque o tempo começou a firmar... Confesso que foi cansativo mas nada penoso..Só de poder correr na rua depois, tudo animou!!!

Aprendi a encontrar graça naquilo que não é algo favorito para nós..contemplar a paisagem nos dias de corrida no gelo...aproveitar o rolo para treinos de estimulo..Jamais pensar que é ruim ou chato, mas tirar de cada treino uma experiencia, algo legal, inspirador. E assim foi hoje 50km bike + 5km run!

Bom sabado!

1 de jul de 2011

O dia mais frio do ano..

Linda imagem do dia mais frio do ano em Curitiba...e nós treinando...firmes e fortes...

Retorno aos treinos e o frio

Pessoal,

Sei que estou há algum tempo sem postar nada aqui...Estive em recuperação de uma lesão na coluna lombar e sacra..Depois de 30 dias de tratamento intensivo (medicação, fisio, exercicios) com o meu anjo da guarda, meu ortopedista, e um retorno montado especialmente para minha melhora, pelo meu treinador (outro anjo da guarda) estou treinando novamente rumo ao Ironman Brazil 2012 e algumas "provinhas" no meio.

Hoje ainda conversando com um futuro triatleta de Belem-PA, pensei no retorno aos treinos..realmente ficar lesionada e focada no tratamento, para tudo sair 100%, me deixou sem ter muito o que escrever. Não achei bacana dividir com vocês tratamento...convenhamos, isso é chato...pra mim..pra vcs.. O melhor é dizer que todo tratamento requer paciência, persistencia, disciplina e muita fé..em Deus e em quem está te tratando. Felizmente me livrei das terriveis dores, do desconforto, e da impossibilidade de treinar com tantas dores. Busquei tratamento em tempo e me livrei de um tratamento ainda pior...

O que fica é: buscar tratamento com bons profissionais quando sentir que algo não está bem. Triatletas estão acostumados a conviver com a dor, mas saber discernir quando ela está se tornando séria é algo que todos devemos saber..ou tentar saber..

Seguimos então com os treinos..nesse frio! Falando em frio..confesso que, embora gelado, correr na 3.ª feira no gelo do parque foi maravilhoso...privilégio de paisagem que poucos tiveram..E é isso que me faz amar cada vez mais o esporte que escolhi!

Bons treinos!!