30 de out de 2017

Pedestres, corredores e a resolução do Contran

Foto: USP Images

Na última sexta-feira, 27, foi publicada a resolução 706/2017 do Contran, que regulamenta o Código de Trânsito Brasileiro (1997) a respeito de multas para pedestres e ciclistas. Tal previsão de punição já constava nos artigos 254 e 255 do CTB, porém necessitava de regulamentação para entrar em vigor, ainda que esta tenha surgido vinte anos mais tarde, ainda que necessite de complementações por parte dos municípios, ainda que tenha 180 dias para entrar em vigor. 

Segundo a resolução, pedestres poderão ser multados em R$44,19 e ciclistas em R$130,16  ( + apreensão da bike em algumas situações) caso infrinjam as normas de circulação. Neste caso, o agente de trânsito poderá lavrar o auto de infração e aplicar a multa, que pode ser paga via boleto bancário ou cartão de crédito. 

Para não me alongar muito no post, irei me ater apenas a questão do pedestre (e, por consequência, do corredor) diante dos desafios em se trafegar pelas cidades. 

De acordo com o CTB:

Art. 254. É proibido ao pedestre:

        I - permanecer ou andar nas pistas de rolamento, exceto para cruzá-las onde for permitido;
        II - cruzar pistas de rolamento nos viadutos, pontes, ou túneis, salvo onde exista permissão;
        III - atravessar a via dentro das áreas de cruzamento, salvo quando houver sinalização para esse fim;
        IV - utilizar-se da via em agrupamentos capazes de perturbar o trânsito, ou para a prática de qualquer folguedo, esporte, desfiles e similares, salvo em casos especiais e com a devida licença da autoridade competente;
        V - andar fora da faixa própria, passarela, passagem aérea ou subterrânea;
        VI - desobedecer à sinalização de trânsito específica;
        Infração - leve;
        Penalidade - multa, em 50% (cinqüenta por cento) do valor da infração de natureza leve.

Entretanto, há situações nas nossas cidades que não "se encaixam" nas normas do CTB e, menos ainda, na resolução do Contran. Segundo Juciano Rodrigues, do Observatório das Metrópoles, estima-se que 1/4 dos domicílios nas principais regiões metropolitanas não tenham seu entorno constituído por calçadas. Belém, por exemplo, tem 43,7% de domicílios com calçadas, enquanto Belo Horizonte possui 82,7% e São Paulo 90,7% .
Ainda, há que se considerar que dentro dessa percentagem há aquelas calçadas onde é inviável trafegar, seja pelas condições das mesmas, obstáculos, degraus, rampas, carros estacionados.

Segundo a resolução, normas específicas deverão ser estabelecidas pelo município. Porém, estamos diante de um ordenamento que não prevê o pedestre, apenas o automóvel. Não há políticas públicas que abracem o pedestre, isto é, em nenhum momento alguma lei se preocupou em priorizar o espaço para o deslocamento a pé. E o resultado dessa desídia é a atual situação de nossas calçadas, além da insegurança para se trafegar a pé. 

A Constituição federal, arts. 182 e 183, trouxe a política urbana para a pauta, que posteriormente foi regulamentada pela Lei 10.257/2002, o Estatuto da Cidade. Contudo, nesse tempo caminhamos vagarosamente na implementação do mesmo. Washington Fajardo, da WAU Agência Urbana, definiu bem essa situação: temos um "Estatuto da Cidade que, após 15 anos, ainda não disse a que veio". Os prefeitos fazem planos diretores apenas "pro forma", sendo que muitos sequer utilizam os instrumentos nele previstos. 


E então fica a pergunta: como punir uma ação que não tem a alternativa de ser executada dentro lei? Como punir um pedestre por estar caminhando na rua (ainda que no canto, próximo ao meio-fio) se não há calçadas? Como punir um pedestre por atravessar fora da faixa se não há faixa, cruzamento ou passarela em um raio de 5km? Como punir pedestres que não usam passagens subterrâneas ou passarelas em razão da inseguração (assaltos e estupros)? Há muito que se regulamentar antes da nova resolução entrar em vigor. E nenhum município conseguirá "fazer milagres" em 180 dias, o que possivelmente tornará a resolução do Contran "letra morta".

Foto: mobilize.org
Entende-se que há uma necessidade de estabelecer direitos e deveres para todos os envolvidos na dinâmica da mobilidade. Já existem normas estipuladas, como atravessar na faixa de pedestre e  respeitar a sinalização e muito se vê pedestres infringindo essas regras, seja por desatenção ou comodismo. Porém é fato que existe uma necessidade de especificar a nova resolução e, antes disso, adequar a cidade à sua implementação, começando pela atenção às calçadas e à malha de caminhabilidade, bem como colocando o pedestre, então alvo das normas do Contran, como objeto principal nas dinâmicas urbanas. 


23 de out de 2017

Corrida e espaços públicos cercados


Hoje cedo durante o treino de corrida pelas ruas da cidade onde resido, São José dos Pinhais (região metropolitana de Curitiba), levei um susto quando cheguei no Paço Municipal e me deparei com a "pracinha" ao lado, onde ficam os mastros das bandeiras e os bancos, CERCADA.  Sim, isso mesmo, colocaram GRADES no entorno do ESPAÇO PÚBLICO cujos bancos as pessoas utilizavam para descanso, encontro, bate-papo. 
Arquivo pessoal

Arquivo pessoal

Espaços públicos urbanos são locais de socialização, não somente entre pessoas mas também de relacionamento entre poder público e seus cidadãos. Constituem, pois, parte das redes de mobilidade urbana uma vez que são pontos de passagem e também de socialização e bem-estar.

Não obstante o fato dos bancos terem sido cercados, as grades deixaram um espaço apertado e sem visão para quem precisa virar a direita ( sentido prefeitura) ou a esquerda (sentido terminal) sendo aquele cruzamento movimentado e eixo de ligação de bairros, escolas, comércio com o terminal central. 
Dependendo do sentido, perde-se a visão de quem vem do lado oposto. Sem contar as árvores, lixeiras e calçadas quebradas.

Arquivo pessoal


Arquivo pessoal
Arquivo pessoal

Aquele ponto faz parte do meu percurso de corrida há mais de dez anos e já vi muitas mudanças porém nunca me deparei, desde a construção do paço municipal, com moradores de rua ou andarilhos naqueles bancos (e eu passo ali cedo!!!). Já vi muitas vezes, encontros, despedidas, esperas por caronas, e, aos fins de semana, muito comum idosos e pais com crianças (carrinhos, triciclos).  Ainda, que houvessem moradores de rua naquele espaço, cercá-lo seria a pior maneira da administração pública expor o seu problema em relação aos marginalizados (na acepção da palavra).

O Prof. Dr. Paulo Saldiva, em sua coluna na Radio USP, bem expôs: 
"Muros que, segundo ele, impedem nossa visão e nos obrigam a ver cimento onde deveria haver espaço, e divisões onde deveria haver pessoas. 'Os muros não só interferem com a estética e, consequentemente, com o nosso bem-estar e a nossa percepção, mas impedem que a gente usufrua o bem-estar de encontrar com as pessoas'.”



Corroborando com o tema, um artigo do The City Fix mostrou que a população se sente insegura em locais com muros e grades. 
"Public spaces are central to the dynamics of city life: they are meeting spaces, and the perceptions that people have of these areas are directly related to how they use them."

Ainda, Jane Jacobs, baseada no seu conceito "Eyes on the street" estabelece que as pessoas se sentem seguras quando conseguem manter o contato visual entre os prédios e as ruas, isto é, sem paredes ou empecilhos. E, sem dúvidas, aquele espaço gerava uma aproximação maior entre poder público e população.

Entrei em contato com a Prefeitura Municipal de São José dos Pinhais, via Facebook, questionando essa situação e prontamente me responderam:

Olá, Vivian Dombrowski. Agradecemos o seu contato. O Paço Municipal foi trocado de lugar e retornou ao seu local inicial, próximo ao memorial casarão, que é mais adequado para a realização dos eventos oficiais, bem como proporciona maior segurança aos munícipes e igualmente conta com bancos, em um ambiente arborizado, que pode ser utilizado por todos.


De qualquer forma não justifica terem tirado aquele espaço público compartilhado, estratégicamente localizado, que pode ser utilizado a qualquer dia e qualquer hora. De fato, há um espaço DENTRO da prefeitura mas só acessível no horário comercial, naturalmente. Ademais, a impressão que passa com tantas grades é, realmente, a vontade do distanciamento com a população.
As cidades caminham para integração, mobilidade, aproximação do pedestre e das pessoas. Desde sempre estes foram ignorados nas políticas públicas urbanas, embora constituam maior número que veículos automotores. Sabe-se que atualmente 63% da população usa a caminhada no seu deslocamento urbano e espaços públicos se transformam em pontos, em nós de socialização e bem-estar nas redes de caminhabilidade. 

Vivian Dombrowski
Pesquisadora e consultora em Direito urbano e cidades
Mestre em Direito, Estado e Sociedade - Estado, Meio Ambiente e Ecologia Política (UFSC)
Especialista em Direito Socioambiental e Bacharel em Direito (PUC-PR)







16 de dez de 2016

O pior do ser humano é o novo normal

Hoje peço licença para um desabafo. Nada relacionado com o triathlon ou suas modalidades mas sim com o nosso presente. Um momento denso, abafado e asfixiante que nos faz esgotar todas as forças para fazer a esperança não se afogar no mar de vaidade, orgulho e ganância que nos envolve local e universalmente. 

reprodução internet

É aquela situação de família, o entrave no ambiente de trabalho, o descontentamento com situações erradas, o cenário político, a esfera humanitária, enfim, uma somatória de fatores norteados pela vontade excessiva de ter ou receber mais do que os outros. Afinal, é isso o que move o ser humano cada vez mais nos dias de hoje? Por que tantos querem mais e mais ou, pior, tirar o que é dos outros? 

Na definição do dicionário: Ganância: 1. Ânsia por ganhos exorbitantes; avidez, cobiça, cupidez. Ânsia de ágio; agiotagem, usura. 2. Desejo exacerbado de ter ou de receber mais do que os outros.

Na coletiva de imprensa após o jogo do Atlético/PR x Flamengo, no último domingo, o técnico do Furacão, Paulo Autuori (quem admiro muito como profissional e pela maneira de pensar e trabalhar) propôs uma excelente reflexão sobre esse tema: 

“As lições estão aí e apareceram da forma mais trágica possível mas que nós temos que parar pra pensar que falar em tragédia em futebol...tá na hora da gente mudar, de nós mudarmos, nós que trabalhamos com futebol. É impossível que a gente passe por uma situação trágica como essa e não mudemos a nossa maneira de encarar o futebol. [...] O futebol pode dar grande exemplo a todos, principalmente ao nosso país que passa um momento muito complicado e é importante a gente refletir, infelizmente, na maneira mais trágica a gente pode entender o que se passou no país, o que está se passando e tratarmos as coisas com um pouco mais de seriedade em relação aquilo que deve ser o bem-estar dos cidadãos brasileiros.[ Sobre o acidente com a Chapecoense] Não foi um acidente mas uma sucessão de erros. Ali mostra exatamente o que eu to falando sobre o nosso Brasil, a ganância é grande por parte daqueles que teriam a responsabilidade de dar exemplo e só pensam nisso. [...] O momento é muito de reflexão ao menos para aqueles que tem alguma coisa em relação a um sentimento de bem-estar que tem que ser repartido com os concidadãos, com seus semelhantes.” (assista aqui a íntegra entrevista).

Ganância essa que está estampada em nosso país, quando o Congresso Nacional inescrupulosamente aproveitou-se do luto e da comoção nacional em face da tragédia com o vôo da Chapecoense para articular suas manobras. Estas que, na política brasileira, já estão maculadas e desacreditadas, tamanha corrupção que se instaurou no Brasil. É o querer mais, tirar mais, se apoderar sempre mais. MAIS MAIS MAIS MAIS!!! Cifras que ultrapassam o entendimento de qualquer cidadão médio, que cumpre sua jornada de trabalho mal remunerada e contribui com sua carga tributária bem pesada. Uma nação onde os três poderes disputam entre si o maior poderio, usando artilharia de guerra para derrubar o outro, enquanto teriam a obrigação de caminhar juntos, em mútuo auxílio, em prol dos seus milhões de cidadãos.  Um governo que poderia não estar quebrado – em todos os sentidos: econômico, comercial, humano e moral – não fosse a ânsia em locupletar-se indevidamente, por quem deveria dar exemplo. Não se trata aqui de partido político ou posição ideológica mas sim de falta de moral e caráter do ser humano. 

Ampliando o cenário, podemos perceber o quanto o mundo sofre com esse desejo destrutivo pelo poder e pela riqueza. Enquanto a história parecia ter sido marcada apenas pelas atrocidades de Hitler, tivemos depois o genocídio na antiga Iugoslávia e, enquanto muitos acreditavam que Sbrenika serviria de exemplo para que o ser humano não mais atentasse dessa maneira contra a vida de outros, temos os casos de genocídio no Sudão e, agora, os conflitos na Síria, exterminando Aleppo. Casos atrozes julgados pelo Tribunal Penal Internacional que colocam em xeque a existência de virtudes em seres humanos. Em um recente artigo no Jornal The Guardian, questiona-se o porquê da humanidade não ter aprendido nada com Srebrenika, da qual uma sobrevivente declara: 

"Ao contrário, o pior da humanidade está se tornando o novo normal. Quando olhamos por outro lado, definimos o mais perigoso dos precedentes, aquele que faz a minha experiência mais provável de ser repetida. Eu olhei para o cano da arma e sei que a humanidade não pode permitir isso. Assumir uma sobrevivente do genocídio – mais Alepo está em jogo."

O ser humano só aprende com a tragédia. Acredito nisso, muitos podem aprender com a tragédia alheia, porém com muitos outros o aprendizado virá quando atingir a si próprio, além daqueles que vivem na crença de autossuficiência e que jamais serão abalados. Como diria Benjamin Franklin, a humanidade é composta por três classes: as que são imóveis, as que são móveis e as que se movem.

É hora de refletir e se mover. Chamar para si uma responsabilidade mútua e parar de agir como se os estupros morais e éticos fossem parte dessa realidade avessa que se tornou correta. Tornou-se mais fácil se amoldar a cegueira de um cenário desolador a querer  enxergar e se obrigar a mudar para melhor, mesmo que isso implique em abrir mão do orgulho, do poder, da vaidade. É nítido que do jeito que está, seria mais fácil sobreviver a um meteoro ou a uma nova era do gelo (não somente de mentes e corações). Saturou-se do MAIS MAIS MAIS...agora é a vez do MENOS! Que tenhamos apenas ganância de prosperidade, progresso, saúde e bem-estar e que possamos despertar esses sentimentos a nossa volta e, em meio a erros e acertos, conquistas positivas sejam alcançadas.

Para encerrar, Huxley dizia que "o bem da humanidade deve consistir em que cada um goze o máximo de felicidade que possa, sem diminuir a felicidade dos outros". Seria isso uma utopia? 


Citações:
TV CAP
The Guardian
Balkan Insight

30 de mar de 2016

Corrida do Movimento pela Mulher

Olá pessoal!!


Estou com vários posts para publicar, alguns com delay, mas não podia deixar de começar por esse!!

No dia 20 de março, participei da corrida do Movimento pela Mulher, que aconteceu em São Paulo. O objetivo do movimento é respeito, liberdade e justiça como alguns pilares essenciais para a conquista da igualdade de gênero. Homens e mulheres correram juntos pelo fim da violência contra a mulher e pela igualdade de gênero. 

Nas palavras do próprio movimento: O Movimento pela Mulher de 2016, em apoio às campanhas Por um Planeta 50:50 em 2030: Um passo decisivo pela igualdade" e "Eles por Elas", ambas da ONU Mulheres, visa a prevenção da violência doméstica e empoderamento feminino, incluindo o incentivo à qualidade de vida, à prática de esportes e iguladade de gênero. O movimento é idealizado pelas corredoras Debs Aquino, Gabi Mansur e Paula Narvaez. 


A retirada dos kits foi no sábado, na Loja Marisa da Av Paulista, onde o encontro não programado aconteceu e o abraço mais apertado do mundo foi dado. O universo conspira a favor desses encontros, não tenho dúvidas!
Debs, eu e Rafa

 Por falar no kit...uma verdadeira sacola de presentes! Camiseta (linda!), pernito e meias de corrida da Lupo, barras de cereal, batom Avon (perdi pra minha mãe!), vale desconto nas Lojas Marisas, revistas e um material super didático sobre a violência contra a mulher. Lembrando que R$10,oo de cada inscrição era revertido para as associações parceiras do projeto.


Bom, vamos falar da corrida, né??
Com largada na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, a prova contava com percursos de 10k e 5k de corrida, além dos 5km da caminhada. Participei dos 10km para acompanhar as amigas e dar uma forcinha extra a uma amiga bem especial. Trajeto bem pesado, com várias subidas, porém que passaram rapidamente. Quando corremos sem olhar no relógio ou com um objetivo maior do que nós mesmos, a prova se torna extremamente prazeirosa e fácil de correr. Sem contar a energia mega positiva do dia e da estrutura da prova.
Amigas correndo 10km juntas: não tem preço!

Medalha medalha medalha!
Na chegada, otima área de dispersão, água, frutas e isotônico. E a medalha linda!!

Mas o melhor de tudo é encontrar amigas, desvirtualizar amizades, tudo isso com muito mas muito sorriso no rosto. Não tem como não ser grata a esses momentos que a vida nos proporciona. Nessa prova em especial pude retribuir a ajuda em busca de um objetivo que me foi dada por outra amiga, em outra prova, e assim passar adiante a corrente do bem! Um dia você ajuda, no outro é ajudado e o bons sentimentos se espalham e cativam. 

Girls of Carla Moreno Team!
Pessoal, fiquem atentos para o ano que vem! Se rolar a 3.ª etapa, não tem como ficar de fora!! 

Bons treinos e até a próxima!

Estive lá! #MovimentoPelaMulher


8 de mar de 2016

2.ª Meia Maratona de São José dos Pinhais


Olá a todos!!

No último post (esse aqui!)  mencionei a Meia Maratona de São José dos Pinhais e disse que voltaria para escrever sobre ela...e aqui estou! Correr em casa é sempre um prazer. Não só pela facilidade em estar próximo da largada, não precisar madrugar pra se deslocar, mas também por correr nas ruas da cidade que você conhece tão bem e que fazem parte do seu percurso de treinos. É bom correr para conhecer novos lugares mas também é muito bom correr por onde conhecemos bem.



Foto: Rick Nogueira - www.foto7.com.br
Sobre São José dos Pinhais
Antes de mais nada, deixa eu falar um pouquinho sobre a minha cidade natal: São José dos Pinhais. 

Situada no caminho de Paranaguá, de onde partiam as expedições para buscar ouro, São José dos Pinhais, então Arraial Grande , ficava em um local estratégico pois foi encontrado ouro nos rios dos planalto (1649). Ocupado por indígenas e portugueses, o povoado cresceu de forma rápida e desordenada. Em 1690 ocorreu a inauguração da Capela de Bom Jesus dos Perdões, marcando o processo administrativo da colonização, ou seja, o espaço são-joseense passou a ter uma autoridade que representava o governo português. Em 1721 houve a eleição para as primeiras autoridades da Freguesia de São José. Em 1852 foi elevada a Vila de São José dos Pinhais, já com poder executivo empossado, e em 1897 tornou-se a cidade de São José dos Pinhais. Nesse ínterim, houve a chegada dos imigrantes europeus (italianos, poloneses, ucranianos) que ajudaram na colonização e expansão do município, como já comentei nesse post aqui

Situada ao Leste do Estado do Paraná, São José dos Pinhais é a 5ª maior e uma das mais antigas cidades da Região Metropolitana de Curitiba. Localizada a 15 quilômetros ao Sudeste da Capital, onde fica o aeroporto Afonso Pena. São José dos Pinhais possui a 3ª maior arrecadação de ICMS entre os 399 municípios do Paraná (ano base 2014) e de acordo com o IBGE, possui o 2º maior PIB do Estado do Paraná e o 36º do Brasil (referente ao ano de 2012). 

A cidade abriga fábricas como Volkswagen – Audi; Renault e Nissan; Montana – Argo; Grupo Boticário; Brose do Brasil;  Nutrimental; entre outras. As maiores redes de varejo do Paraná – Grupo Super Muffato, Grupo Condor, Mercadorama, os centros de distribuição das Casas Bahia e da AMBEV e o primeiro centro de distribuição da empresa Natura no Paraná também estão presentes no Município. De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral, São José dos Pinhais é a 7ª cidade do Paraná com maior número de eleitores (190 mil) entre os 399 municípios do Estado (referência: outubro/2015).

A prova

Foto: Igor Takashina - www.foto7.com.br
Bom, esse foi o segundo ano da meia maratona e além dos 21km havia também o revezamento em duplas e quartetos, o que foi muito interessante pois deu a oportunidade de que corredores de todas as distâncias pudessem participar e fazer a festa. E as subidas não perdoaram ninguém...independente do trecho escolhido, o desafio estava traçado!

A retirada do kit aconteceu no sábado, 05, no Ginásio de Esportes Ney Braga, local da largada e chegada da prova. Fui na hora do almoço e mesmo com movimento, a entrega era ágil e a fila andou rapidamente. O kit era composto de camiseta, viseira, barra de cereal, chip descartável (adoro!) e número de peito adesivado (ou seja, não precisava espetar a camiseta com alfinetes ou colocar na cinta porta-numero). Por ser uma inscrição "de dois dígitos" e acessível, o kit estava justo e a contento. 

A prova em si é desafiadora. Com muitas subidas e descidas, o percurso passa por vários bairros da cidade e não repete trajeto, isto é, você não passa duas vezes no mesmo lugar. Com exceção de um 1km de subida que no retorno transforma-se em descida, já no final, os corredores não se encontram, não há aquele desânimo em ver o pessoal voltando enquanto você ainda está indo...

Olha só a pirambeira: 


Imagem  SEMEL SJP
 A largada foi pontual às 7h30, postos de água a cada 2,5k e carbo gel no km10,5, animação no percurso, staffs dispostos e alegres e a população começando a ir nas frentes das casas para prestigiar. Muitos voluntários participaram da festa, seja nos pontos de água, das trocas do revezamento ou do carbogel - e sempre animadíssimos. No final da prova, em torno do km 17 ou 18, havia até um senhor refrescando a galera com água em frente a sua casa. Em boa hora!

Medalha finisher - Arquivo pessoal
Chegada organizada e com separação dos pipocas e de quem competiu inscrito. Entrega de kit pos prova com frutas e barras de cereal, água, chá mate com guaraná e um copo de isotônico. Dispersão fácil e rápida e ampla área de descanso e de concentração das assessorias.  Além da medalha muito mas muito bonita (ok, confesso: segui firme nos 21km pesados e sob o sol porque queria muito essa medalha! hahahaha) e que retratou muito bem a cidade. Sabemos que nada é perfeito mas não vi nenhuma falha que tirasse o brilho da prova. Pessoas mal educadas e motoristas impacientes vemos em todos os lugares, infelizmente. A vibe boa é que deve ser considerada!

Parabéns a todos que concluíram os 21km, solo ou revezamento. E aos amigos que encontrei e pelos quais fui encontrada, é sempre um prazer imenso revê-los e não há nada mais gostoso que um abraço apertado, um cumprimento sincero, um bate papo amistoso, mesmo que rapidamente. Essa energia boa e verdadeira é o que realmente importa. 

Parabéns a Prefeitura de São José dos Pinhais e à Secretaria de Esporte e Lazer pela organização e estrutura da prova. Gratidão aos amigos fotógrafos pelos belos registros e aos amigos que oportunizaram a participação nessa prova e aos que estavam na torcida.  Gratidão ao meu treinador San Palma pelo apoio e pela dedicação, sempre! 

Bns treinos e até a próxima!

7 de mar de 2016

Treinar a cabeça para a prova-treino

Olá pessoal,

Há alguns dias venho conversando com o meu treinador, San Palma, sobre "provas-treino" e como encaixá-las no meio da temporada para a prova-alvo, sem querer competir e sim usar o pace de treino visando o objetivo maior.


www.foto7.com.br
A primeira "prova-treino" que escolhi foi a meia maratona de São José dos Pinhais (que terá post logo por que vale muito a pena!!), minha cidade natal e cujas ruas compõem meu percurso de treinos. São subidas e descidas longas, curtas, contínuas, fortes, brandas...trajetos sempre duros. Quis corrê-la por ser em casa, bem organizada e desafiadora porém não fui pra tempo mas sim para me testar. Corri dentro do proposto: pace, frequência cardiaca, concentração, exatamente o esperado para um inicio de temporada, vinda de um ano pesado e de um "bode" com a corrida.  Hoje, segunda-feira, treinei normalmente (corrida e natação) e durante o treino de corrida me perguntaram: "mas já está correndo??? Fez a meia maratona ontem!!". 

Então vamos lá, vou aproveitar a explicação didática e resumida do San Palma sobre o assunto:

Prova-treino é uma prova que encaixa no meio da periodização da prova-alvo. Pode-se competir antes desta mas tem que entender que as provas durante a periodização serão provas-treino e não provas-alvo. Será pra treinar pace, ritmo de prova, distância - que foi meu caso nessa meia maratona.

Se o propósito for usar a prova pra treinar (o famoso treino de luxo) não faz sentido descansar depois, porque é um treino como outro qualquer. É necessário uma recuperação ativa mas não um day-off. Assim como na véspera de prova não precisa descansar muito também porque ela é prova treino e não prova-alvo. 

A prova treino é importante para o emocional e psicológico; para treinarmos a ansiedade para a largada;  a logistica com suplementação, vestuário e equipamentos;  a alimentação, os detalhes antes da prova (chegar, instalar tudo, etc). E vamos combinar que tudo isso pode tirar o sono da gente não somente na noite anterior, como várias antes!!! E ninguém quer sacrificar uma temporada inteira de preparação para detonar tudo uma noite antes, né? 

#confiaevai by San Palma
Em outro post falei (esse aqui) sobre o "feeling" para correr, lembram? Então, usei o feeling para correr esses 21km. Agora é hora de testar tudo, é o momento de se conhecer e organizar os detalhes. Então corri sem crônometro. Na verdade, estava com o relógio mas tapei o visor, ou seja, não tinha como saber nada. Confesso que não foi fácil. Não mesmo!! Era automático olhar para ele a cada km, querer ter dimensão da velocidade, do pace. E foi então que entendi que teria que confiar no meu feeling para ditar meu ritmo e seguir em frente, ouvindo meu corpo, sentindo as batidas do coração, atenta á respiração e a sensação subjetiva de esforço. E não é que deu certo? Mantive dentro do ritmo esperado, mesmo com todas as subidas e descidas, o calor e o sol, e a expectativa da primeira prova de corrida do ano.

Duas coisas foram imprescindíveis para encaixar uma prova-treino antes da prova-alvo: foco e disciplina. Foco no objetivo maior lá na frente e disciplina para fazer seu treino de luxo exatamente um treino e não uma competição. Corredores irão passar por você, as suas pernas vão te convidar para acelerar o passo, o cardiorrespiratorio vai tentar te convencer que você pode ir mais rápido e aí caberá a você mostrar quem manda e qual é o seu objetivo. Para quem não é tão xiita, use o relógio, cronômetro, Garmin para se manter dentro do proposto por seu treinador. Quem quiser se desafiar um pouco mais, corra sem ou então cubra o visor. É uma experiência interessante para qualquer corredor. 

Créditos: Rick Nogueira- www.foto7.com.br
Adquirir domínio sobre si mesmo, sua velocidade, seu corpo e sua mente é importante para o dia da prova maior. Alguns acompanharam a maratona de Frankfurt comigo e sabem do nível de concentração que corri (ainda escreverei exatamente sobre isso!) essa prova e a partir do momento que você se torna imune ao efeitos exteriores , sua performance só ganha com isso. Converse com seu treinador, que saberá lhe auxiliar na sua periodização e como encaixar provas-treino no ciclo para sua prova-alvo. 

A performance na corrida é somatória não só dos números da planilha e dos cálculos nutricionais mas também da sua percepção sistêmica, do seu autoconhecimento de forma global e, principalmente, do seu trabalho mental. Faça sua mente trabalhar a seu favor.

Bons treinos e até a próxima (já já sai o post contando tudo sobre a meia maratona)!

1 de mar de 2016

Um pedacinho da Polônia

Olá pessoal,

Vamos falar um pouquinho de turismo e cultura? Afinal o esporte também nos leva a isso... Quantas provas não fazemos por lugares e cidades diferentes, treinos em regiões turísticas, ou viajamos para atrelar corrida/turismo? Sempre é bacana conhecer mais opções!!

Minha descendência polonesa é inegável, basta olhar o sobrenome (as bochechas rosadas e o gosto natural pelas cores), porém também é minha paixão por essa cultura tão rica e valiosa. Sempre que posso visito exposições, leio livros e artigos, além das memórias e histórias compartilhadas em casa. É raíz, é herança, é laço de sangue, ou seja, inevitável não se interessar. E complementando as minhas visitas e vivências na cultura polaca, no último domingo visitei a Casa da Cultura Polonesa Padre Karol Dworaczek, na Colônia Murici, em São José dos Pinhais, onde também está em cartaz a exposição "Meu coração de polaco voltou", do Paulo Leminski (que aprecio muito). 

Portal polonês na entrada da Colônia
Colônia Murici
A colônia de poloneses fica na área rural de São José dos Pinhais, região metropolitana de Curitiba. Distante 15km do centro da cidade e aproximadamente 15km do centro da capital paranaense.


Fundada em 1878, é a mais expressiva comunidade de origem polonesa no Brasil. Procedentes da Galícia e da Prússia Oriental (região da Cracóvia), cerca de 60 pessoas estabeleceram-se na Colônia que surgiu na terceira etapa da imigração polonesa do Paraná. Abriga também italianos vindos de Trento. 

Depois de abrir a mata fechada por araucárias (pinheiros, árvore típica da região), era preciso fabricar as residências. Estas foram feitas com os troncos destas árvores. Como não tinham ferramentas adequadas, o jeito foi usar a técnica aprendida na Europa (chamada de Dom Weglow, típica da região das aldeias do sul da Polônia), na qual as casas eram feitas em módulos de encaixe, sem pregos, e revestidas com uma “argamassa” especial.

No país de origem, a religião católica era predominante (92%). A necessidade espiritual de um local apropriado para os encontros religiosos fez com que se erguesse uma igrejinha de madeira (por volta de 1881-1884), feita pelos próprios moradores. Mas, foi com a vinda, em 1900, do primeiro pároco, padre Karoll Dworaczek, que se deu início a igreja de alvenaria da colônia, que é hoje o prédio da Paróquia Sagrado Coração de Jesus.

Dedicam-se principalmente ao plantio de hortifrutigranjeiros, criação de aves, bovinos e suínos. Destaca-se a Igreja do Sagrado Coração de Jesus com sua arquitetura e pinturas internas, alguns exemplares das casas de tronco – “Dom” e outras em alvenaria com afrescos em suas paredes, a Casa da Cultura Polonesa (antiga escola) e nos fundos o cemitério, com jazigos dos primeiros moradores da região, além de manter viva as tradições.
Como vários desses descendentes eram de origem rural nos seus países de origem, os imigrantes e descendentes que se instalaram na Colônia Murici se dedicaram à agricultura, que até hoje é o setor econômico predominante na região.(Fonte: site Prefeitura SJP).

Como chegar
Automóvel: via Av das Torres/ BR 376, acesso pelo trevo do Bradesco em direção ao Caminho do Vinho. Ao chegar no entroncamento com a colônia Mergulhão (italianos) basta seguir em frente, passar pelo portal polonês e seguir as placas.  
Ônibus: Linha Murici no terminal urbano - só aceita cartão transporte. 

A Casa da Cultura Polonesa fica na Rua João Lipinski, 671, ao lado da Igreja da Murici.


Casa da Cultura Polonesa Padre Karol Dworaczek



Ela conta atualmente com 3 espaços para visitação: exposição fixa sobre a agricultura polonesa e a casa montada nos moldes polacos e a exposição itinerante (já percorreu Porto Alegre e Curitiba) de Paulo Leminski.
O acervo das exposições fixas foi doado pelos imigrantes e descendentes da própria colônia.
Aberta a visitação pública somente aos domingos, das 10h às 16h. 

Agricultura e vida no campo

Acervo sobre a agricultura
Fundada em 1878 por imigrantes poloneses, a colônia Murici tem na agricultura sua maior fonte de renda. Os primeiros produtos a serem produzidos em solo paranaense foram a batata inglesa, a batata doce e o centeio, com sementes trazidas da Polônia.

 Há em exposição vários instrumentos utilizados na agricultura, como o arado, picador de palha, gadanha, mangual, pulverizador, moedores, foices, tesouras. Todos estão numerados e há a legenda para o visitante saber o nome do instrumento, data e quem doou (poderia ter a explicação de alguns também!! Eu tive a sorte de ir com a minha mãe, que lembrava de alguns que seu avô usava e pode me explicar). 




 Esses são apenas alguns dos vários instrumentos expostos: debulhador de milho, amolador de facas, tesoura do início de 1900 e o marcador de gado.   Incrível o quanto era possível ser feito com instrumentos tão simples. E assim percebemos o quanto a evolução foi rápida no século XX e XXI. 

A Casa Polonesa
No andar superior há uma casa tipicamente polonesa montada: quartos, sala, copa, cozinha. Todos devidamente mobiliados e decorados nos típicos moldes poloneses, incluindo enxoval e algumas peças de vestuário (vestido de noiva!!), além dos utensílios de cozinha e lavabo. 

Armário com as latas de mantimentos e a decoração de papel que imitava as toalhas rendadas.

Vestido de noiva a esquerda, vestido ao centro e um roupão a direita

Copa/ Sala

Representação da religião católica na vida polonesa

Chapeleira e armário localizados na entrada das casas
É possível perceber a riqueza de detalhes nos bordados das toalhas, lençóis, colchas, bem como das roupas, além dos móveis trabalhados (na madeira), demonstrando o quão valiosa é a arte na cultura polaca. Mínimos detalhes cuidadosamente trabalhados, 

Exposição Meu Coração de Polaco Voltou - Paulo Leminski

Ela retrata a fase polaca do Leminski e conta com a história da família Leminski, chegada no Paraná, a imigração polonesa, além de um vídeo muito interessante sobre a situação da Polônia e dos seus cidadãos na época das migrações, narrado pelo próprio autor. 

Ainda, há a exposição de alguns de seus textos, tanto em português quanto em polonês, além de algumas obras e fotos do autor e da família. Interessante o quadro com a árvore genealógica de Paulo Leminski, logo no início da exposição.

Atenção, pois a exposição fica aberta até o dia 11/04/16. 



Sugestão
A Casa da Cultura Polonesa é um afago à paixão e ao amor pela cultura polaca. É ver a riqueza desse povo exteriorizada e valorizada. Sem dúvidas, uma visita que encanta os olhos e alma. Entretanto acredito que pequenos detalhes poderiam deixá-la ainda melhor!
  • Senti a falta de um espaço que falasse sobre a Polônia, desde a história (sim, muitos não conhecem além dos livros de História do Ensino Fundamental e Médio), a geografia, as principais cidades, pontos turísticos, enfim, um resumo sobre esse país que tanto a contar. 
  • Na exposição sobre a agricultura na colônia Murici, poderia haver imagens (vídeos, fotos) ou apenas um explicativo sobre a função de alguns instrumentos. Seria bem interessante mostrar na prática a funcionalidade daquele acervo incrível.  E, ainda, deixar um pouquinho mais explícito o nome de cada um. 
  • Sugestão de próxima exposição: trajes típícos e folclore.

Vista lateral/fundos da Casa da Cultura Polonesa

O que mais fazer na colônia Murici
Quem estiver em Curitiba e região, vale a pena o passeio e a visita. 
Na região também é possível encontrar restaurantes de comida caseira e também típicas, incluindo café colonial. Para os esportistas, a região garante ótimos treinos de corrida trailrun (chão batido) e mountain bike, com subidas, descidas e paisagens lindas. 

Inclusive, no próximo dia 06/03, acontecerá a tradicional Festa da Colheita. A Festa é uma expressão religiosa e cultural criada por descendentes de imigrantes poloneses e italianos, é um evento de agradecimento pelas boas colheitas.  A programação da 30ª Festa da Colheita será iniciada com missa solene, seguida pela tradicional cavalgada e desfile em agradecimento a colheita. No almoço serão servidas comidas típicas da região – como pierogi (um tipo de pastel cozido), risoto, churrasco e costela fogo de chão.

Os vídeos da exposição e da Casa da Cultura Polonesa estarão em breve no meu canal do Youtube!!
Bons treinos, bom passeio e até a próxima!


Todas as fotos e imagens são arquivo pessoal e tem os direitos reservados.


28 de fev de 2016

O feeling pessoal e os números

Olá pessoal,


Sabe aquele dia que você não espera nada do treino e ele sai redondinho? Será que é o treino te surpreendendo ou será que não é você mesmo mostrando que tem um bom autoconhecimento? Ouvir o corpo é fundamental para a evolução de qualquer treino e a conquista do seu objetivo.      

O coach San Palma, meu treinador, ensinou que devemos ouvir mais o corpo do que os números. Sempre fui adepta dessa teoria. Pace, frequência cardíaca, velocidade, potência...são importantes? Sim, claro! Frequencímetros, medidores de potência, podômetros, GPS...é a tecnologia a favor do esporte e devem ser considerados. Para os atletas de rendimento são poderosas ferramentas. Entretanto, nada disso terá eficácia se o atleta não conhecer seu corpo, as alterações que o treino provoca nele, os fatores que alteram a sua performance e seu rendimento, os "ups and downs" da rotina e como lidar com tudo isso e usar a seu favor.

Se considerarmos a grande parcela de corredores, principalmente amadores, muitos esquecem de prestar atenção na sensação subjetiva de esforço, de perceber o ritmo exato que faz a FC aumentar, a força nas pernas necessária para pedalar mais forte, o técnica da braçada que faz a remada ser mais consistente.  E tudo também varia do dia do treino. O San sempre fala que se você está em um dia bom, sem muito estresse, alimentação correta, boas horas de sono, está bem de saúde, o atleta irá render; já se a noite foi mal dormida, houve estresse no trabalho, preocupações, está com alguma infecção no organismo, fez alguma refeição fora do programado, infelizmente isso será refletido nos treinos.

Em uma ocasião peguei uma intoxicação alimentar que me derrubou. Fiquei três dias off e voltei aos poucos, dosando os treinos e executando-os a medida que me sentia confiante, porém na bolha da zona do conforto (porque não era o momento de querer ousar nada, né?).  Penso que treinar pouco é sempre melhor do que não fazer treino algum, desde que haja condições para esse "pouco" também. Recuperando-me como um conta-gotas, fui seguindo e percebendo que a cada dia o corpo dava sinais de progresso. Mínimo, mas dava. Até que duas semanas depois havia um longo de respeito e eu realmente não queria (e nem podia) mais perder treino em função do calendário de provas e dos objetivos buscados. 

Então chegou o primeiro longo da lista: corrida. A intenção era ser meio Forest Gump, sabe? Correr e apenas correr, ouvir o corpo e deixar ele ditar o longo que seria feito (ótimo se fosse inteiro!) e tudo evoluiu bem, até que você está pra fechar a distância e quer dar pulos como o Rocky na escadaria da prefeitura da Philly! hahahaha. Já o segundo longo sequencial, natação, foi no embalo da endorfina da corrida e após muitos e muitos azulejos contados, terminou. 


É a velha máxima: men sana in corpore sano. Cabeça e corpo tem que trabalhar em conjunto ou o resultado não virá. Atleta saudável tem rendimento e resultado, porém o primeiro passo para isso é se autoconhecer, compreender seus limites e saber encaixar os treinos dentro da sua capacidade. Se não é o dia, não force. Melhor parar um dia do que comprometer uma temporada ou, pior, colocar em risco a própria saúde. 

E não há planilha, manual ou receita de bolo que ensine como se conhecer... o feeling é na prática, na sensibilidade dos treinos diários, nos erros e acertos, no bons e maus treinos. Aliás, não existem treinos ruins, há aqueles que ensinam mais e outros menos. Na dúvida, converse com seu treinador e, juntos, busquem a melhoria contínua.

A linha entre a persistência a teimosia é tênue e você é o único capaz de distinguí-la. 

Bons treinos e até a próxima!


26 de fev de 2016

Cataratas do Iguaçu

Olá pessoal,

Aos poucos vou compartilhando aqui com vocês sobre onde tenho passado e visitado, dando dicas, explicando e passando meu ponto de vista.


Arquivo pessoal - Direitos reservados

Acredito que a água exerça fascínio sobre muitas pessoas e comigo não é diferente. Quando falamos em várias quedas d'água sincronizadas em um espetáculo de som, cores e frescor, o fascínio é ainda maior. Perfeitamente ordenadas pela natureza, as Cataratas do Iguaçu constituem Patrimônio Natural Cultural da UNESCO e refletem a beleza natural e intocada que pode ser contemplada por nós. 
Todas as vezes que vou ao Parque Nacional, saio renovada e revigorada. É tanta energia boa circulando, que chega ser impossível não sair de lá mais leve (com exceção das roupas molhadas!) e energizado.

Um pouquinho sobre a história do Parque
O Parque nacional do Iguaçu, criado em 1939, pelo Decreto N° 1.035, abriga o maior remanescente de floresta Atlântica (estacional semidecídua) da região sul do Brasil. O Parque protege uma riquíssima biodiversidade, constituída por espécies representativas da fauna e flora brasileiras, das quais algumas ameaçadas de extinção, como onça-pintada (Pantheraonca), puma (Puma concolor), jacaré-de-papo-amarelo (Caimanlatirostris), papagaio-de-peito-roxo (Amazona vinacea), gavião-real (Harpia harpyja), peroba-rosa (Aspidospermapolyneutron), ariticum (Rolliniasalicifolia), araucária (Araucariaaugustifolia), além de muitas outras espécies de relevante valor e de interesse cientifico.
Essa expressiva variabilidade biológica somada à paisagem singular de rara beleza cênica das Cataratas do Iguaçu, fizeram do Parque Nacional do Iguaçu a primeira Unidade de Conservação do Brasil a ser instituída como Sítio do Patrimônio Mundial Natural pela UNESCO, no ano de 1986.
Unido pelo rio Iguaçu ao Parque Nacional Iguazú, na Argentina, o Parque integra o mais importante contínuo biológico do Centro-Sul da América do Sul, com mais de 600 mil hectares de áreas protegidas e outros 400 mil em florestas ainda primitivas, responsabilidade ímpar para ações conjuntas entre brasileiros e argentinos nos esforços de preservação deste tão importante patrimônio mundial.




Como chegar
Ônibus
Você pode chegar ao Parque através de ônibus de linha, que parte do TTU e cruza o centro da cidade, passa pela rodovia das Cataratas até chegar no Parque. Linha 120, lado esquerdo depois que passar a catraca. É a mesma linha que faz até o aeroporto.
Custo da passagem: R$2,90.
Ao chegar no parque e descer do ônibus, você irá até o Centro de Visitantes, onde há a venda dos ingressos, lojinha e central de informações. Depois de adquirir o bilhete, você será encaminhado até o embarque nos ônibus próprios do parque (double deck), que percorrerão aproximadamente 10km  até chegar no início da trilha, que é feita a pé.  
Para retornar, basta se direcionar até a parada dos próprios ônibus do parque, no Porto Canoas, e fazer o sentido inverso da viagem.
Ônibus do PNC

Táxis / Automóveis
Seguem a mesma forma dos ônibus de linha, a partir do Centro de Visitantes. Já os automóveis poderão ficar no estacionamento (R$19,00 diária).
Transfers
Verificar com a agência o funcionamento.

Tarifas
Brasileiros
Adulto: R$31,30
Crianças (2 a 12 anos): R$8,00
Idosos (acima de 60 anos) : R$8,00
No site do parque há tabelas com valores diferenciados para estrangeiros e comunidade.
Os ingressos podem ser adquiridos também via internet.

Passeios
A trilha que passa pelas cataratas (até terminar no mirante da garganta do diabo), dá aproximadamente,1.200m. Percurso que inclui desníveis e degraus. Se for em um dia movimentado, tem que ter paciência. 
A garganta do diabo é ponto máximo. Após passar pela passarela e próximo as quedas, você chegará ao mirante, de onde terá uma visão maravilhosa das quedas seguintes. 
Prepare-se para se molhar bastante. Quem não gosta, aconselho a levar uma capa de chuva ou adquirir no próprio parque. Que não se incomoda, é melhor levar uma muda de roupa extra. 

Porto Canoas
Ao terminar o passeio pela trilha, você seguirá até Porto Canoas, uma ampla área de descanso e alimentação, incluindo a loja de lembranças e sanitários. 

Ainda, há outros passeios que podem ser feitos dentro do Parque Nacional, como o Macuco Safari (que vai de barco até embaixo das quedas)  e a Trilha do Poço Preto.
O Macuco Safari fiz em 2006 e na época gostei muito. O valor não é barato mas vale a pena para  sentir a emoção de passar próximo às quedas. Assim como na passarela, leve uma capa de chuva ou uma muda extra de roupa.

Alguns cuidados
  • Durante a trilha de 1200m será comum encontrar os sagüis. A recomendação do parque é não alimentá-los e não toca-los, afinal são animais selvagens. 
  • Use roupas confortáveis para caminhar.
  • Não descuide da hidratação e do protetor solar.
  • Se tiver alergia a insetos, é recomendável o uso de repelentes.

Lado argentino
É possível visitar as Cataratas pelo lado argentino, na cidade de Puerto Iguazu. Não tive essa oportunidade ainda mas acredito que seja belo e emocionante também. 
Sem dúvidas, a visitação ao parque é imprescindível para quem quer desfrutar de alguns momentos de contemplação da natureza em sua forma mais pura e bela. 

Até a próxima!